Inspiração: Cursinho nasceu em casa abandonada e já levou 500 para faculdade

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Alô, Comunidade! Uma ideia que nasceu numa casa abandonada está transformando vidas. O Programa de Educação em Células Cooperativas (PRECE), projeto desenvolvido em comunidades cearences, é a prova disso.

Manoel Andrade Neto, criado por uma família humilde, no interior cearense, de Pentecoste, teve acesso à educação porque seus avós foram para Salvador.

Com o apoio dos avós, o garoto teve uma oportunidade que seus pais não tiveram:  estudar.

Quando ficou adolescente, ele e amigos criaram um grupo de estudos que ia até uma casa abandonada e as reuniões se transformaram em uma espécie de cursinho preparatório para vestibular.

Mais do que entrar na faculdade, eles inspiraram outros jovens que fazem parte do PRECE, que hoje conta com 13 núcleos, chamados Escolas Populares Cooperativas, em quatro municípios: Pentecoste, Apuiarés, Paramoti e Umirim.

Dos 2 mil estudantes que passaram pelo PRECE, mais de 500 já ingressaram no ensino superior e os números não param de crescer.

Como aconteceu

Um jovem convidou Manoel quando ele tinha mais ou menos 16 anos para participar de um grupo de estudos. “Ele me perguntou o que eu gostava de estudar e eu disse que era biologia”.

“E sabendo disso, me deixou responsável pela biologia do nosso grupo. O que foi interessante, porque ele era um cara que articulava muita gente e montava vários grupos, aí chamei uns colegas de onde eu estudava também para participar. Fiz muitos amigos ali e descobri que o vestibular existia”, contou Manuel.

Com as conexões que os grupos de estudo lhe trouxeram, ele se juntou com um amigo bastante estudioso e começaram a usar o espaço de uma casa abandonada e passaram a estudar lá.

Foram dois anos de dedicação que garantiram a ele bons resultados no vestibular.

“Nunca deixei de ir para o Cipó, a minha comunidade em Pentecoste, pequena, rural, com umas dez famílias. Quando eu terminei a faculdade, fui trabalhar no Rio, passei quase dois anos lá, mas voltei e me envolvi mais fortemente com a comunidade. Lá conheci uma moça, me casei. Chegamos a tentar organizar jogos de futebol para meninos, mas percebi que não conseguia evoluir muito, porque dependia muito dos políticos locais. Até que me lembrei de como foi o meu processo: os grupos!”, lembrou Manuel.

Começava ali o movimento de convidar a comunidade para estudar.

A fala sobre a faculdade e as oportunidades que a educação podia trazer, deu motivação as crianças e despertava nelas a vontade de conhecer a universidade.

“Muitos nem sabiam nem o que era universidade naquela época, mas acreditaram por causa da minha história, porque eu era de lá e, aos olhos deles, tinha vencido na vida”, completou.

Foto: divulgação – Jovens do PRECE estudando embaixo da árvore

Casa abandonada

A iniciativa começou a ter vários adeptos e precisava de um lugar para acontecer.

Foi quando encontraram uma casa de farinha abandonada, onde os meninos começaram a se juntar para estudar, agora sob a orientação do casal.

Com o tempo, passaram a morar ali. Muitos eram jovens adultos que, depois de mais velhos, se dedicavam a cursar o supletivo para concluir o ensino fundamental e o médio.

“Nosso trabalho era mais do que só falar. Nós levamos eles para Fortaleza para mostrar a universidade, os equipamentos culturais, para não deixar que desanimassem. E assim eles foram crescendo, se desenvolvendo. Terminaram sua etapa da vida escolar. Começamos com sete alunos. Todos entraram na universidade e depois retornaram para ajudar suas comunidades”, contou orgulhoso Manuel.

Além de fomentar a educação na vida de cada um e das suas famílias, eles tiveram a chance de conhecer e escolher trilhar por caminhos diferentes.

 

Conheça mais sobre o projeto no Instagram e no Facebook.

 

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